PERIGO E RISCO

| 7 febrero 2018 | Reply

De modo geral, e muitas vezes, esses conceitos são usados como sinónimos, ma não são.

Um “perigo” é tudo isso que é a origem de um risco porque sua potencial activação pode causar danos (um evento, processo, circunstância ou objecto) . Em outras palavras, a “activação” desse perigo pode (probabilidade) gerar um “dano (consequência negativa)”.

O risco é o conceito inverso da segurança (entendida como a ausência de risco) e pode expressar-se em termos quantitativos, como a o valor esperado da variável aleatória “dano derivado da activação de um perigo” ou de dano médio. Como pode se deduzir, as unidades de risco são as unidades do dano que deriva-se do perigo que o origina. A unidade económica é uma unidade que pode ser usada para normalizar diferentes tipos de dano (com a dificuldade que isso tem, porque qual é o preço de uma vida humana?, duma árvore de mil anos?, duma bela paisagem?, etc.).

Portanto pode se expressar que:

Risco = Probabilidade da ocorrência dum dano x efeito do dano

Um pacote de cartuchos de dinamite é um perigo que é activado se ele estiver aceso. Se ocorrer um incêndio que faz com que o cartucho acenda ou o façamos intencionalmente com um fósforo, podem derivar-se consequências negativas ou danos que resultam da activação desse perigo. Em consequência:

Risco associado ao perigo de se ter o pacote de cartuchos de dinamite =

= Probabilidade da ocorrência do dano que pode acontecer se activa-se o perigo x dano que produzir-se-ia =

= Probabilidade da dinamita acender-se x dano que produzir-se-ia =

= Probabilidade de que [(aconteça um incêndio) OR (intencionalmente um fósforo for aproximado)] x dano que produzir-se-ia

≤ (Probabilidade de que aconteça um incêndio + Probabilidade de intencionalmente um fósforo for aproximado) x dano que produzir-se-ia.

Generalizando o acima apresentado, pode-se afirmar que a probabilidade de ocorrência de um dano (difícil de se calcular) pode ser estimada de acordo com as probabilidades de ocorrência dos “eventos” que o geram (isto é, a activação dos correspondentes “perigos”).

No domínio da Engenharia de Fiabilidade e Manutenção, as avarias dos equipamentos das instalações industriais são um perigo que, se acontecerem, podem provocar consequências negativas nas ditas instalações; essas avarias provocarão, pelo menos, um aumento nos custos operacionais (pelo menos, elas terão que ser reparadas) e, provavelmente, uma perda de renda devido à possível perda de disponibilidade da instalação e, no pior caso, um acidente com danos às pessoas ou ao meio ambiente.

No caso de avarias acontecerem:

Risco associado às avarias dum equipamento que provoca indisponibilidade da instalação

onde P(MFi) representa a probabilidade de ocorrência do modo de falha i do equipamento sob analise e que provoca a avaria que leva a uma perda de disponibilidade da instalação que define ao dano j .

A diferenciação dos conceitos de perigo e risco baseia-se na essência de metodologias como Manutenção Centrada em Fiabilidade (RCM: Reliability Centered Maintenance), na qual a análise da criticidade (ou análise de risco) do equipamento de uma instalação constitui um dos pilares básicos da dita metodologia.

Ao implementar uma análise RCM, considere se, para determinar a criticidade dos diferentes equipamentos da instalação sob estudo, estão a considerar-se as probabilidades de falha do referido equipamento, as probabilidades que correspondem aos seus modos de falha associados ou as relacionadas à ocorrência das suas causas de falha e, portanto, as aproximações que assumem cada uma dessas formas de proceder. Não se pode esquecer que uma tarefa de manutenção será efectiva se cancelar (ou, mais correctamente, reduz) a probabilidade de sua causa raiz, pois sim, nenhuma acção é tomada contra essa raiz, então existe o risco de a falha se repetir.

 

Dr. Ing. Antonio José Fernández Pérez
aj_fernandez@telefonica.net

PELIGRO Y RIESGO

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Category: Artigo técnico

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